18 de junho de 2008

Tango - a paixão dançada


Estamos no Verão e para nós, sempre ocupadas com questões de ciência, beleza, moda e coisas que tal, também nos assalta a preocupação de ter de vestir o biquini... Seria um cliché fazer uma inscrição no ginásio nesta altura do campionato. Passaríamos, seguramente, pelas desesperadas pela forma perdida ou em vias disso. Mas nada de sobressaltos, há alternativas.

Depois de uma manhã muitissimo inspirada, em que dou por mim a dançar no hall de entrada de minha casa, tenho andado a magicar nisto. A inscrição num curso de dança pareceu-me uma boa ideia. Mas não imaginem aquelas dancitas básicas, passo a passo, vira para a esquerda e esbarra na rapariga que está ao lado! Nada disso, pensem em grande. Como diria alguém, pensem com moral!

Para vocês perceberem bem daquilo que estou a falar deixo-vos dos vídeos que julgo que serão bastante instrutivos. Um deles é, mais soft... doce e tal a meia luz... básico! O outro, que prefiro de longe, é o prazer da dança puro. Ali diz-se tudo sem uma palavra, são dois corpos que se enlaçam e desenlaçam com a determinação das ondas do mar. Lindo! Dêem uma espreitadela.






11 de junho de 2008

(in)consistências

Tema: pornografia
Cenário: o universo masculino heterossexual
Problemática: onde ficam os limites?

Todos os homens gostam de pornografia. É a mais pura verdade.
É adulto e hetero? Então gosta de ver filmes com enredos foleiros, cenários decadentes, mamas grandes e cenas filmadas através de câmaras que utilizam as lentes dos mais poderosos telescópios.

Os filmes pornos têm diálogos (juro que pensei muito, antes de designar como tal!) que não ultrapassam as duas frases por fala de personagem. Desenrolam-se em lugares alugados ao preço da chuva com cenários terríficamente sem gosto.

Nos filmes pornos vêem-se peitos, pernas, costas desnudadas mas também genitais (masculinos e femininos) filmados ao pormenor. Existem fluídos que jorram e correm a cada 5 minutos. A banda sonora normalmente usa um saxofone e os efeitos sonoros são compostos por aaaahhhs, uis, sins e o demais que me coíbo de aqui colocar (o clássico 'ai cariño' é quase angelical quando comparado com o restante).

Os filmes pornos têm beijos com e sem língua, sapatadas, apalpões, agarranços, lambidelas, esfregadelas, etc., etc.

Os filmes pornos têm taras: miudas específicas, locais concretos, performances características, adereços seleccionados, temas para cada tipo de aficcionado.

A pornografia (em filme, fotos, ao vivo, o que for) tem tudo isto e muito mais. E qualquer homem saudável, hetero e desinibido dirá frontalmente que vê ou já viu, eventualmente admitindo que realmente gosta.

Mas coloquem o mesmo sujeito saudável, hetero e desinibido perante um mero e simples beijo entre dois homens e... espanto... esse mesmo sujeito adquire a expressão facial da mais cândida e virgem vestal e logo juntará um 'ai meu deus, como é que é possível...'

Pois é: os limites da sensibilidade masculina straight afinal parecem existir.

26 de maio de 2008

Caríssimas, no contexto da minha cruzada de fé fui passar uns dias ao Tibete (giríssimo, por sinal)... Resolvi levar a coisa a fundo e passei uns dias enfiada num mosteiro (tive que accionar alguns contactos porque não era permitida a presença de mulheres...) em estado de meditação profundo, consegui atingir o samadhi. A resposta à minha questão existencial é a "aceitação", percebermos que "eles não sabem mais"... Ou seja, por mais que tentemos, há coisas que nunca os vamos conseguir fazer perceber. Passo a dar alguns exemplo:



- diferenças entre carmim e vermelho fuchsia/magenta e rosa choque

- que cordon bleu e voul au vent são especialidades gastronómicas

- que pepino e courgette são legumes diferentes

- a razão pela qual todas as mulheres têm, no mínimo, 10 carteiras

- o que é um necessaire

- por que razão, todas as estações, temos que actualizar o nosso guarda roupa

- diferença entre leggings e meias

- que são corsários não têm nada a ver com pirataria

- perceber com um simples olhar se uma mulher tem implantes de silicone ou se o produto é natural

enfim... a lista poderia tornar-se muito longa, mas julgo que já deu para perceber a ideia...



Trata-se de uma linguagem altamente técnica que eles não dominam e dada a complexidade destas questões parece-me uma área de conhecimento que lhes estará eternamente vedada. Depois há que ter em conta que eles ocupam aquelas cabecinhas com coisas completamente inúteis: discutir até à exastão o que é um fora de jogo, decifrar mapas (ainda não se aperceberam que se trata de documentos com valor meramente histórico? Há gps...) e inventam palavras estranhas: derby e hat-trick ... depois, claro, não há espaço para aprenderem as coisas importantes... É por isso que são tão inseguros e têm "problemas de expressão". Portanto, nada de desânimo, é uma realidade incontornável. Temos que ser diplomáticas e ter a consciência de que a democracia nas relações passa pela aceitação das diferenças.
Agora, sempre que se virem numa situação em que lhes pedirem para comprar tomates cereja e eles aparecerem em casa com umas belas cerejas de Resende, não desesperem e antes de lhe entregarem uma imagem impressa em computador (a cores) com aquilo que realmente pretendem, pensem: "eles não sabem mais!" ;)


50 ways to leave your lover

Um viva às novas tecnologias! Viva!

Há uns anos atrás, quando a coisa a dois não corria bem e todas as memórias tinham que ser destruídas, optava-se por algo em grande! Queimar fotos e cartas de amor numa gigante pira fúnebre (e os vizinhos a chamarem os bombeiros), rasgar tudo em mil pedacinhos para evitar qualquer reconstituição, deitar confetis amargurados na praia misturando ranho e lágrimas à água do mar. Lindo!

Felizmente, tudo se tornou mais asséptico actualmente. Queres apagar as fotos daquela avantesma que pouco mais tinha do que um belo tónus muscular, ou do outro que comunicava em monossílabos? Nada mais fácil querida. Abres ficheiro do teu pc, sim, aquele intitulado 'eu & ele', seleccionas a foto e ... PIM ... delete! Sem lixo (temos sempre que nos preocupar com o ambiente), sem dor (é que volta e meia os fósforos voltavam-se contra nós) e sem lágrimas (o que resulta ainda melhor se o processo mecânico for acompanhado de umas belas críticas construtivas à velocidade do seu pensamento).

Ainda assim, não prescindo de uma bela peixeirada à italiana. Eu, na varanda de casa, de negligé preto e rolos no cabelo (mas sexy como, sei lá, a sofia loren), ele de boxers cá em baixo, a roupa dele toda a voar, mais as malas, os acessórios e os jornais desportivos e a vizinhança espapaçada a gozar o espectáculo.

Há lugares-comuns que fazem parte do nosso imaginário, apesar das novas tecnologias!

19 de maio de 2008

Cruzada da fé

Já não há paciência para aturar os extra-terrestres (vulgo gajos). Depois da falência dos contos de fadas e das histórias de final feliz instaura-se o desânimo. Que seres estranhos são estes, cheios de dúvidas e inseguranças?
Remeto-me a um estado de meditação profundo sobre a matéria :)

15 de maio de 2008

Maio 68/08

Ora, acabadinha de chegar de Paris (que é O SÍTIO para se comemorar os 40 anos passados sobre o Maio de '68), vinha eu de Marie Claire na mão a pensar em todas as revoluções que aquele movimento trouxe para as mulheres: mini-saia, biquini, contracepção e liberdade sexual, cabelos esticados e shampô comercial com amaciador, liberdade de expressão, liberdade de opção nos estudos e no emprego, possibilidade de uso de conta bancária, literatura cor-de-rosa, um feminismo que nos permite agora vir exigir a depilação masculina - um sem fim de coisas boas.

Passados 40 anos (sim, porque aquilo já foi no séc. passado), ainda temos que aturar dizeres neandertais quando passamos com uma saia acima do joelho, ainda esperam das mulheres que tenham tempo, dinheiro e paciência para todas as semanas arranjarem cabelo, mãos e pés, ainda temos que confirmar com todas as letras que preferir um homem a uma mulher para o mesmo cargo profissional É descriminação sexual, ainda temos que provar que uma mulher não é só a mãe, esposa ou namorada de alguém e que quando é bem sucedida é-o não porque dormiu com alguém ou porque se travestiu de homem.

Todas estas contrariedades cansam... e muito.

Acho que hoje vou ignorar a Quadratura do Círculo e sigo já para o SPA da Bé, estou mesmo necessitada de uma massagem com pedras quentes!